Mamas e a secretária do meu marido

Cinco da tarde e estou no 13 A, um autocarro que parece os autocarros de Lisboa, ou seja, sempre cheio e com atrasos, mas com a particularidade de levar sempre, pelo menos, 3 carrinhos de bebés e uns quantos cães, ambos autorizados a viajar de transportes públicos na Áustria. 

Toca o telefone que consigo, por milagre, achar na mala antes de ir parar à caixa de mensagens. Os meus vizinhos naquela lata de sardinhas olham-me desconfortáveis, o que obviamente ignoro. Do outro lado o meu marido pergunta-me se me pode fazer uma pergunta meio estúpida. “Sim, claro que podes. O que foi agora?”. Uma curva e resvalo para cima de um homem de origem otomana que me lança um olhar assassino. Peço desculpa e continuo a conversa telefónica. “Sabes onde é que a Catherine fez a cirurgia plástica para aumentar as mamas?” É que a minha assistente quer aumentar o peito”, ouço do lado de lá.

 “O quê?” A exclamação saiu-me provavelmente demasiado alta e um velhote vienense grunhe-me um vislumbre de insulto, pois não se pode falar alto na Áustria. “Pois, ela quer aumentar as mamas e veio-me perguntar hoje se tinha que tirar férias ou se poderia pôr atestado médico”. Ok, Stop! Saio do autocarro.” Ela quer o quê?” “Ela quer pôr um implante de silicone. Diz que não está contente e perguntou-me se por acaso eu ou tu conhecemos alguém que o tenha feito. Eu disse que por acaso conheço, mas que não sabia se a minha mulher tinha os pormenores. De qualquer forma, disse-lhe que ela não precisava de fazer implante nenhum”.

 

Ok Stop 2! Rewind. O meu marido fala com a assistente dele, que tem a idade imberbe de 23 anos, sobre implantes de silicone às mamas (um clássico tema de trabalho, claro), e diz-lhe, não só que conhece alguém que o fez, como que a dita assistente não precisa de fazer implante nenhum. Adicionando a isto, ninguém é suposto saber que a Catherine pôs silicone nas mamas, embora todos andemos a falar sobre isso. Pergunta lógica: Será que me devo preocupar?

A voz do meu marido é de qualquer forma também de espanto “Eu acho que a malta nova hoje em dia pensa de outra forma. Mas o que é que eu lhe hei-de dizer? Bom de qualquer forma, ela tem que tirar férias, isto não é doença para se pôr atestado médico”. Pois, o que é que EU hei-de dizer? Que não é normal e que se não o conhecesse bem que isto podia ser motivo de divórcio. Ele diz-me que também não acha normal, mas que se eu puder perguntar à Catherine, como quem não quer a coisa, que lhe diga!

2009

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