Férias das férias

Ahhhh, esta é para os meus amigos imigras!….

Desde que entramos para a escola, sabemos que o Verão é para irmos de férias e desde que nascemos que férias são na praia, seja para a quinta do lago ou para o parque de campismo Piedense da Costa da Caparica. De chanatas ou havaianas, com nortada ou sem ela, sabemos que quando vamos de férias, estamos de férias porque férias são férias e para quem trabalha isto tudo que acabo de dizer é fulcral!

 

Quando estamos fora, esta máxima adquire novos contornos. A malta emigrada, independentemente de se ter meios ou não, de se chegar a Portugal de carro de França ou de avião de Viena, não vem para descansar, mesmo que fosse essa a sua intenção primordial.  Depois de um ano a sonhar com sardinhadas e com dias a discutir a cor da bandeira da praia, são confrontados com outras tarefas. Sim, quem vem de fora vem com algumas missões:

 

 a) Vistiar a família, o que implica  não apenas visitar, mas estar intensivamente com pais, irmãos, cunhados e sobrinhos, o que provavelmente ninguém  no seu estado normal voluntariamente faria. A família visada, por seu lado, usa essa ocasião para fazer connosco tudo aquilo que podia ter feito, mas não fez durante o ano. Isso pode incluir ir comprar um fogão ao Media Markt, fazer limpezas de fundo (com a nossa ajuda), ir passear a bisavó que nunca passeia porque está já bastante entrevada e assim com o nosso carro é mais fácil, fazer a reparação de um cano na casa de banho, porque assim têm-se lá alguém e ir tratar daquela papelada que se podia ter tratado, mas que não se fez até nós chegarmos.

 

b) Fazer deslocações jamais imaginadas para visitar a prima da cunhada do nosso tio avô que não nos vê há anos e gostava de conhecer os nossos filhos, mas vive em Freixo de Espada a Cinta e ser pressionado para visitar outros parentes afastados e mesmo assim, ser criticado por não nos termos dado ao trabalho de fazer mais do que fizemos, já que cá estamos.Outra versão desta alínea é ser suavemente levado a aceitar convites de amigos que moram  num T 2 quente em Corroios para ir  almoçar a casa deles a um domingo à tarde (menos um dia de praia…).

 

c) Ir tirar o cartão de cidadão em pleno Agosto e ser número 52 numa fila de pessoas de outros cidadãos nacionais de origem chinesa e indiana que não falam português, o que dá azo a confusões. Sentir  dó dos funcionários estafados e cinzentos que têm que fazer aquilo todos os dias da sua vida e usar isso para relativizar o facto de se ter perdido um dia de praia naquela loja do cidadão.

 

d) Ir ao Jumbo ou Continente comprar as coisas que não temos no estrangeiro e ficar horas preso nas filas de espera porque os empregados das caixas estão a concorrer para ir para o Guiness por serem os mais lentos do mundo.

 

e) Arranjar uma briga com alguém da família, porque estamos sem paciência e todos com as expectativas frustradas e jurar que nunca mais voltamos a Portugal!

 

Assim voltamos ao nosso recanto no estrangeiro cheios de vontade de fazer férias das férias. O único consolo é que, quando encontramos o esbranquiçado do vizinho no vão das escadas, emproamos o nosso bronze conseguido sabe-se lá como e perguntamos-lhe com falsa compaixão “Então, que tal o Agosto por cá? Fez mau tempo não foi?”

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