Super alimentos

Um amigo levou-me a um workshop sobre os super alimentos, que desconhecia por completo. O meu amigo anda maravilhado com os beneficios destes alimentos e sente-se outro, cheio de energia e segundo ele, recupera muito rapidamente se come ou bebe deamasiado. Não é o meu caso, mas a parte da energia e força interessaram-me.

Eu não sei ainda, e estou a integrar alguns deles na minha dieta, nomeadamente substitui o café com leite, por leite de amendoa com maca e cacau! Sinto-me bem e já não tenho aqueles periodos de ups and downs causados pela cafeína. Dizem que o cacau e maca também estimulam a produção de seratonina. 

Fiquei a saber que existem ainda vários produtores portugueses de super alimentos, nomeadamente a trabalhar com a cultura de algas.

Abaixo segue alguma informação sobre este tema!

“O que são Superalimentos?

São alimentos super concentrados energética e nutricionalmente, fornecendo ao nosso organismo uma dose extra de aminoácidos, vitaminas, minerais e outros nutrientes, de uma forma 100% natural, equilibrada e totalmente assimilável pelo corpo, o que não acontece com os complexos vitamínicos e minerais sintéticos.

A pobreza dos solos, a poluição, os estilos de vida stressantes e a constante exposição do nosso organismo a toxinas, reduzem o nível de nutrientes armazenados pelo nosso corpo. Por essa razão, é boa ideia incorporar os superalimentos e suplementos naturais biológicos na nossa dieta diária.

Ver mais no site do “super foods guro David Wolfe: http://www.davidwolfe.com/my-new-superfoods-book/

Lojas on line ou informação

A maca é um superalimento dos Andes com crescente popularidade em todo o mundo, uma vez que o seu consumo regular traz benefícios ao nosso organismo:

  • Aumenta a imunidade e o estado geral de saúde
  • Aumenta os níveis de energia e a força física
  • Promove a fertilidade
  • Aumenta as capacidades mentais e de aprendizagem
  • Aumenta a energia, vitalidade e resistência
  • Fortalece o sistema imunitário
  • Promove o bem estar geral
  • Aumenta a clareza mental
  • Reduz a fadiga crónica
  • Equilibra o sistema hormonal
  • Estimula a fertilidade no homem e na mulher
  • Aumenta o líbido
  • Aumenta a resistência física
  • Reduz os sintomas da menopausa
  • Reduz a ansiedade e depressão após a menopausa
  • Melhora a memória e a resistência física
  • Melhora a capacidade de aprendizagem

O pó de maca é um adaptogéneos mais poderoso que as bagas de goji e do que o ginseng estabilizando todos os sistemas do corpo.

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Ilustração

Um fim de tarde de céus prateados com escassos laivos dourados a tentarem escapar as incontornáveis neblinas nocturnas. Um fim de tarde entre o mar bravo e os pomares. Um fim de tarde no verde forte da natureza, salpicado aqui e ali pela a frescura das casas brancas e bom… de alguns chalés de telhados pretos implantados pelos emigrantes retornados de França. Um fim de tarde no Oeste Português, entre as Caldas da Rainha e Leria, na região anteriormente designada como Beira Litoral.

Já houve mais fruta, já houve mais gente, já houve mais historias, já houve mais vida. Sigo pela borda de um riozito e vou observando como estamos longe dos campos ordenados austríacos, eficientemente produtivos. Ando nisto, quando o riozito se alarga numa espécie de charco e ali, como se fosse uma ilustração antiga, deparo com três lavadeiras. Sim, lavadeiras tradicionais, autênticas de pesadas galochas mas com as mesmas trouxas arcaicas que as lavadeiras dos presépio da igreja do Carmo, com as pernas grossas e ar decidido e muita muita roupa nas pedras brancas.

Fico a olhar e elas dizem-me boa tarde e continuam a tagarelar e a tirar a roupa dos sacos e a deitar-lhes Tide para cima. Será possível que em 2008 ainda se lave roupa no rio? Se sim porquê??? E o ambiente? Sim ,ok, as fábricas de louça poluem bem mais.

Não pergunto, não comento. Continuo o meu caminho e vou pensando que fundo é isto que tem de certa forma piada em Portugal, a coexistência das coisas mais incríveis possíveis e esta predominância das soluções tradicionais para problemas modernos. Faz-se uma horta entre dois prédios, plantam-se umas couves na varanda, criam-se umas galinhas num terrenozito que têm…Se tudo encarece, lava-se a roupa na o rio! Em suma, a necessidade aguça o engenho e a malta não fica à espera!

Chapinhar na lama e ser feliz

Os dias tornaram-se longos e verdes. Maio é, de facto, o mês mais feliz em Viena! Os jardins explodem em cor, as manhãs começam cedo e as noites caiem tarde deixando no ar o sentimento que a vida recomeça para todos! De repente, por todo o lado se vê gente e chega-se à conclusão de que afinal, Viena tem bem mais habitantes do que somos levados a crer durante os longos e pesados meses de Inverno: gente nos jardins a apanhar sol, gente nas esplanadas, gente na rua! Gente!!!

Nos parques infantis, atulhados de crianças e de pais, a miudagem brinca com uma energia fenomenal. Geralmente os pais eufóricos deixam-nos andar descalços e emporcalharem-se na lama e há mesmo parques com fontes e lagos para os miúdos chapinharem em grande, chamam-se “wasser spielplatz” ou seja, “parques infantis com água” e têm geralmente uma bomba de água e terra para se poderem formas autênticos lagos de água porca, uma delícia para aqueles pequeninos seres munidos de baldes e pás e muita imaginação!….

Acho curioso, pois nunca vi em Portugal os miúdos poderem fazer tanta porcaria juntos sob o olhar complacente dos pais e muito menos em espaços criados para esse propósito.Talvez seja a alegria de se poder sair à rua, o que não se pode fazer durante a maior parte do ano, ou talvez sejam formas diferentes de ser. Enquanto olho para a miudagem de pés sujos de lama a correr livremente no jardim, tenho que admitir que não estou mesmo a ver nenhum pai ou mãe portuguesa deixar que os filhos andem descalços pelo asfalto e se molhem em qualquer repuxo e depois se rebolem na areia suja de um parque infantil.

Eu que sempre tivera tanta vontade de me molhar nos largos repuxos de rega do jardins lisboetas e a minha mãe que sempre mo impediu!… O leque de possíveis resultados trágicos era vasto: não porque eu iria ficar constipada, suja, magoada ou todas em conjunto. A proibição demasiado categórica para ser desafiada! Assim, nunca perguntei se havia provas provadas que fosse mesmo assim, de que uns salpicos de água causassem uma pneumonia! É uma daquelas coisas que é assim porque é assim, uma daquelas coisas que não se faz porque não, como não se come o que cai ao chão, nem se toma banho de barriga cheia! É interessante vermos, quando cruzamos culturas, que afinal certas regras de ouro, têm outras interpretações…

Aqui chapinhar numa fonte pública e encher o escorrega de lama é possível e parece que ninguém pensou alguma vez que existissem os riscos que existem para as mães portuguesas. Por outro lado guinchar, dar gargalhadas altas e fazer em geral barulho para além desses espaços autorizados já não é possível, ou é mas toda a gente olha com ar escandalizado! Da mesma forma, quando se entra numa casa onde há crianças todos tiram os sapatos e se nós não os tiramos, somos convidados a fazê-lo com um tom de reprimenda (que porcos! parecem dizer os olhares dos donos da casa!)! Também não se pode andar de fato banho molhado nas praias ou piscinas e cada vez que mergulham os austríacos vão a correr mudar de calções com medo de ficarem constipados ou apanharem uma infecção urinária ou ambas!Assim, aqui também não há a vivalma que desafie estas regras: os pais falam baixo com os filhos, os miúdos são educados, não usam sapatinhos no chão de casa austríaca e emporcalharem-se é possível, mas nos parques de lama criados para esse efeito. Nos cafés não há guinchos de Cowboys e Apaches, mas também não ouvimos pais prometerem uma chapada ao Rubén Miguel por dá cá aquela palha.

Somos diferentes…mas numa coisa somos parecidos, acreditamos mais em regras que pensamos e só damos por elas quando somos confrontados por quem tem outras concepções de como andar por este mundo. Creio que os analistas da integração, imigração e afins devem seguramente ter uma análise mais sofisticada que eu, mas por agora, fica aqui apenas uma das minhas reflexões empíricas de quem vive entre Lisboa e Viena!Imagem

O traje…outra vez!

Recebemos um convite para ir a um casamento em traje tradicional e pediram-me que levasse o meu! O meu quê? Os austríacos perguntaram-me qual é o traje típico português e eu disse que, bem, assim de repente…. não temos.

Sorry, no go! Não temos vestidos de Heidi nem calças curtas de cabedal, ou casacos de cortes centenários com as cores e armas da região. Somos muito modernos. Talvez no Minho, mas ainda aí, não serão todos. Na Nazaré, as peixeiras…bom mas nunca iria a um casamento vestida de Nazarena, acho que a única vez que vesti algum traje tradicional foi o de saloia na festa de Carnaval da escola primária…

A única coisa que me ocorreu que temos de típico é a bata!…Sim a bata é uma coisa que se encontra por Portugal inteiro, embora não a possa considerar vestuário. Na verdade, a bata é a antítese da roupa. A bata é mais que isso, é o uniforme de um batalhão nacional muito especial: o batalhão das mulheres típicas portuguesas. Mulheres de mãos pesadas a esfregar a roupa na pedra, fazer cozido, matar galinhas, limpar o ranho do nariz dos putos, passar uma roupita a ferro em frente à televisão ir até ao mercado comprar umas nabiças, ou colher umas couves se estão na terra. É o uniforme dessas criaturas fantásticas que limpam, cozinham, fazem, amassam e não se cansam, apanham por vezes dos maridos, cuidam dos sogros e nunca nunca desistem!

Enfim, só por isso devíamos dar-lhe um outro estatuto, fazer-la sexy e atraente. Mas a mulher tradicional portuguesa não tem essas pretensões…é humilde e não pede muito…Bom mas a pergunta era qual era o nosso traje..não, não temos!

Outubro-Novembro 08. Viena!

Céus cinzentos, frio cá fora, gente esverdeada no metro, ar quente e pegajoso nos vagões cheios de vírus de gripe e outras bactérias prontas a instalarem-se nos nossos pulmões. Foi assim que fiquei doente e que me vi fechada em casa a ver o céu nublado pela janela da sala. A casa está silenciosamente vazia e as luzes estão acesas apesar de serem 10 horas da manhã. Tenho pelo menos algum tempo para escrever…escritas que ninguém lê, mas não faz mal.

Chegou a altura mais odiada do ano, os dias tristes de Outono que me deixam deprimida e com saudades do meu país, mas também daqueles que se foram para sempre. O 1º de Novembro está a chegar e na verdade começo a achar que esta data foi escolhida de acordo com o desenrolar da natureza: que altura melhor para relembrar os mortos que esta? Eu tenho bem saudades de algumas das pessoas queridas que partiram, uns mais cedo que os outros, mas deixando-me igualmente quebrada e em falta.

Sim, eu sei que em Portugal ainda faz sol…mas quem sabe quem escolheu o 1 de Novembro como o dia de todos os santos vivia seguramente por estas bandas.

Talvez se fosse o 1 de Maio não me sentisse assim tão desanimada..

Fantasias austríacas

Eu gostava de saber qual é a fantasia standard dos homens portugueses. A dos austríacos já sei qual é: verem as suas mulheres vestidas de dirdnl, aqueles fatos tradicionais, ríspidos, cheios de florzinhas, aventais de chita e blusas de rendinhas envergonhadas. Sim, é verdade que se podem descer os decotes, como o fazem as valentes das empregadas de mesa na Oktoberfest, mostrando as grandes peitaças enquanto despacham grandes canecas de cerveja aos bárbaros nas mesas. É verdade que se podem subir as saias e que existem dirdnls modernos, dirdlns de látex (para os mais ousados) mas o que é que aquela fatiota de Heidi tem de sexy???

O primeiro a perguntar-me se eu não vestia um dirdln foi um senhor já de alguma idade e ar levemente devasso que eu tive que gramar durante uma festa de casamento. Como ainda tinha eu mal posto os pés neste país acho que não percebi bem o que significava aquela pergunta. Depois foi o marido de uma colega minha que perguntou com ar cúmplice ao meu marido se ele não planeava comprar-me um dirdln (não, graças a Deus) ,enquanto a minha colega me confessava em voz baixa que o marido a adorava ver assim vestida e que tinha, inclusivamente, dado recentemente mil euros por um desses vestidos. Por fim um outro amigo austríaco disse-me que é incrivelmente sexy com o argumento de que até mulheres feias ganham uma silhueta felina maravilhosa. Esta tese do push-up and push-down effect é, alias, partilhada pela maioria daqueles a quem pergunto. E depois quando elas tiram o dirdln? Aí ninguém me responde, mas talvez esta coisa seja mesmo mágica!

 

Porta do cavalo

Viena, parque infantil,  tardinha.

“Cheguei pela porta do cavalo”, diz Marjana. Estamos ambas sentadas num banco de jardim a ver os nossos filhos treparem nos escorregas e nos seus castelos de fantasia e eu só lhe tinha perguntado, por acaso, como tinha ela vindo parar á Áustria. Era apenas uma pergunta de circunstância.

Marjana não é austríaca.É de um país do sudoeste europeu, como muita gente que reside em Viena e conhecemo-nos por acaso, porque os nossos filhos brincam juntos no mesmo parque infantil ao final da tarde. Todos os dias o mesmo percurso falando dos miúdos, do jardim infantil, das doenças, levemente criticando as sogras, o jantar que terá que ser feito, o habitual há séculos entre duas mães, por mais que os tempos sejam outros.

Hoje, os seus olhos grandes de esquilo semi-assustado olham para mim com vontade de contar uma história. O seu corpo delgado e pequeno chega-se mais para a minha beira e então eu ouço. Entre os risos das crianças, ouço que tinha na altura 18 anos e acabado a escola secundária e tirado a carta de condução. A aldeia onde vivia, entre estradas de terra e de pó não era mais do que isso e a fronteira dos sonhos parava ali também.

Nesse tempo o Leste abria-se e com a queda dos últimos ditadores as pessoas saiam e passados tempos regressavam os primeiros emigrantes, com os seus grandes carros e dinheiro para mostrar à gente da aldeia que havia um outro mundo la fora. A mãe de Marjana, apenas 15 anos mais velha que ela própria, resolveu que tinha chegado a altura para também elas tentarem a sua sorte. Fez os seus contactos e pagou a criminosos para que as tirassem dali. Numa noite, tal como muitos outros imigrantes ilegais, trouxeram-nas num autocarro até chegaram à fronteira com a Áustria. Marjana não vê que eu estou paralisada, sem saber o que dizer. Sacode o cabelo negro e fino do casaco de cabedal que traz com este ar fresco de Setembro e continua a contar-me como estava tudo organizado e de como ela tinha medo. Na verdade, todos os do grupo tinham medo! Mesmo os que já faziam isto pela segunda ou terceira vez.

De madrugada largaram-nos na floresta e nos campos e disseram-lhes para correrem e eles assim o fizeram. Correram durante o que lhe pareceram horas, correram sem nunca se voltarem para trás, dizendo adeus a tudo e esperando não terem que regressar nunca mais até chegarem a uma estrada e aí ficaram. Uma carrinha veio-os então buscar e os “chefes” proibiram-nos de dormir, para não darem nas vistas. Ela tinha muito sono e os olhos fechavam-se, mas tinha força e reabria-os logo de novo com a ansiedade do que iria encontrar.  Não creio que naquele momento soubesse que a partir dessa viagem a vida daria uma viragem de 180ºC.

Conta-me ainda como acabaram por chegar a uma exploração de pepinos anões, aqueles que os austríacos e alemães adoram comer em conserva ao pequeno-almoço (azedos e intragáveis na minha opinião). Pepinos que nascem em plantas pegajosas e irritantes para a pele. Um trabalho extenuante, pago a dinheiro vivo, alimentado pela força de gente sem opções, sem falar alemão e que parte quando a estação acaba.

Marjana queria mais, assim, quando pode, rumou para Viena para tomar conta de uma senhora já de idade. Era criada para todo o serviço, mas conta que foi bem tratada. À noite via televisão e estudava alemão e foi assim que aprendeu a falar esta língua. Eu precisei de anos de cursos, ela aprendeu sozinha, a ver televisão …E depois? Pergunto sem ter mais nada que me ocorra perguntar. “Depois casei-me”. Com o teu marido? “Não, com um outro. Paguei para casar”. Não o conhecia, mas casaram porque ele tinha nacionalidade austríaca e lhe dava os papeis que ela precisava para aqui ficar.

Com o casamento pode ter permissão para aqui trabalhar e estudar. Fez um curso técnico e conseguiu a proeza de arranjar um emprego fixo em condições onde viria a conhecer mais tarde o seu actual marido e pai do miúdo louro e sorridente que se tornou o melhor amigo do meu filho. Divorciou-se, casou-se de novo e cá está agora, sentada ao meu lado, com menos 10 anos que eu e 30 mais de vida vivida.

As crianças riem e não fazem ideia de como as suas mães têm histórias diferentes. Os miúdos pedem para lhes irmos comprar uma sandes e um sumo e voltámos ao mundo de Viena. Levamos os miúdos para o café e eu olho para Marjana com admiração e pergunto-lhe porque não escreve ela um livro. Ela sorri-me e diz-me que não vale a pena, é a história de muita outra gente que vem e vai e que luta às margens deste mundo onde eu tive a sorte de nascer.